LULA É A CHANCE DE VITÓRIA EM 2018

Os brasileiros e brasileiras não têm nenhum motivo para celebrar a chegada de um Novo Ano. Nos países vizinhos, o avanço conservador continua — seja no Chile, com a eleição de um Pinochet paisano e sem tanques, seja na Argentina, com a aprovação da Reforma da Previdência, versão local daquela que será colocada em pauta pelo Congresso brasileiro em fevereiro.

Uma parcela da bancada peronista votou contra suas bases e sua história. Maus presságios? Talvez. Alertas? Com certeza.

O ano se inicia com o julgamento de Lula pelo TRF-4, em 24 de janeiro, e ninguém pode esperar uma decisão jurídica.

Teremos uma sentença política, com a finalidade de excluir — sem um fiapo de prova — candidatura preferida pelo eleitorado em 2018. Não estamos falando apenas do líder nas pesquisas, personagem típico de toda eleição que se preze. Mas de um candidato único, pelo apoio que possui, pela liderança que encarna, pela esperança popular que mobiliza num país que caminha a beira de um precipício da historia.

“É o único ponto de apoio para paralisar a liquidação do país”, afirma Roberto Requião em entrevista a TV 247.

Por essa razão, o projeto de retirar Lula da urna modifica o cenário e o roteiro, inviabiliza o filme. Antecipa a fraude — sem ao menos esperar eleição, como ocorreu em Honduras — e permite imaginar, no melhor dos casos, uma encenação à moda chilena — onde um presidente foi eleito com 28% dos votos e menos de 50% dos eleitores foram as urnas.

Como já escrevi aqui e acho bom repetir: “O país andou tanto para trás, em menos de dois anos, que só foi possível reencontrar a liderança de Lula para abrir o caminho de volta para a esperança de um país menos desigual e mais próspero, que sempre se imaginou e aguardou”.

A estatura que Lula adquiriu no final de 2017 coloca um ponto sem retorno no debate político atual. Quem acreditou no fim do chamado ciclo “lulo-petista” e enxergou o ingresso do país em nova etapa histórica por uma forma de evolução na consciência dos eleitores-trabalhadores — precisa reconhecer que havia mais efeito Lava Jato do que soberania popular nessa visão.

Mais do que nunca o destino do país se confunde com a unidade em torno de Lula, o que exige o reconhecimento de que, neste momento, investir em candidaturas especulativas é desperdício de energia, divisão política e dispersão de forças — numa campanha na qual a unidade, o acúmulo de forças e a clareza sobre prioridades serão os recursos indispensáveis para a parte mais fraca. A nossa, não custa lembrar.

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Goste-se ou não, o império e seus mordomos não tem três nem dois adversários no Brasil. Não estamos em 1989, quando havia Brizola e Lula. Em 2018, “restou” — a palavra é esta, o que reflete o ponto em que estamos — Lula, 72 anos.

Em meio a tantas dificuldades e incertezas, é possível enxergar o futuro brasileiro com um fiapo de otimismo. Aprendemos que as mudanças históricas ocorrem quando se verificam duas condições básicas: os debaixo não querem mais viver como antes e os de cima não podem viver como antes. Acredito que o Brasil chega em 2018 sob essas duas condições. O apoio popular a Lula traduz o absoluto inconformismo da população com o atual estado de coisas e sua vontade de colocar na presidência da República o único líder com apoio popular para evitar o abismo em que se pretende jogar o Brasil e os brasileiros. Entre os presidenciáveis de verdade, não só tem o maior apoio — mas a menor rejeição. Centro do poder político no atual momento, o Judiciário encontra-se dividido a respeito de novos ataques ao Estado Democrático de Direito, situação que expressa a divisão profunda daquela que se tornou a fatia mais ativa do poder do Estado brasileiro. Por trás de apelos frequentes à moderação dirigidos a Lava Jato, se expressa o receio crescente no topo de nossa pirâmide contra uma ditadura sem acolchoados nem amortecedores, situação que pode colocar sua própria riqueza, suas propriedades e seu horizonte de país sob tutela.

O fortalecimento de Lula e o enfraquecimento político da Lava Jato permitem alguma esperança para 2018.

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