Chapada: sintomas de esquistossomose surgiram 30 dias após passeio, diz turista

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Para alguns era a primeira vez que iam na Chapada Diamantina, como o biomédico mineiro Alexandre Magno Nogueira, 33 anos. Ele também visitou o Poção e tem uma das mais graves manifestações da esquistossomose no grupo de amigos, e agora precisa ser acompanhado por um fisioterapeuta e um neurologista, já que o parasita se instalou na medula. Os primeiros sintomas começaram a parecer no grupo após 30 dias do passeio.

Em entrevista ao CORREIO, o biomédico contou que sentiu fortes dores nas costas e nas pernas, que evoluiu para a dificuldade de andar. No início, ele acreditava que a locomoção estava prejudicada por causa das dores, e só depois percebeu que estava realmente perdendo os movimentos.

No caso dele, o parasita se instalou na medula e atingiu o sistema neurológico. “Fiquei me arrastando para andar, com dificuldade e aí o quadro piorou um pouco. Eu fiquei um dia sem urinar, e sem ir no banheiro, e eu me preocupei mais”, contou. Alexandre foi submetido a exames de imagem, quando foi diagnosticado com mielite transversa esquistossomótica.

Ele teve que parar de trabalhar e está fazendo tratamento com fisioterapia e um neurologista. Alexandre ficou internado por cinco dias, tomando altas doses de corticóides.

A viagem do grupo de Montes Claros (MG) foi organizada pelo agente de viagens Marcelo Braga, 41, que também se contaminou com o parasita. “45 dias após a viagem, estava todo mundo prostrado. Eu senti cólica, dor de barriga, muita náusea, no final até dor de cabeça”, contou. Os sintomas apareceram no dia 20 de abril e só começaram a desaparecer após o início do tratamento.

A maior dificuldade, segundo Marcelo, foi identificar a doença e, por conta disso, algumas pessoas chegaram a ficar 15 dias tendo os sintomas. “Os primeiros casos começaram a aparecer 30 dias após a viagem. Ficou todo mundo indo de um médico para o outro, e até fazer exame específico de esquistossomose, pesquisaram outras áreas, o que demorou muito”, contou.

Água límpida
No local, os turistas não perceberam nada de diferente, já que a água era limpa. “É um local que estava recém-aberto, a gente tava indo pra Cachoeira do Mosquito, quando falaram desse Poção. As pessoas que iam pra cachoeira e resolveram ir para lá. É um lugar bonito, não tinha como perceber nada de diferente, porque a gente não vai pensando que algo assim pode acontecer”, afirmou Marcelo Braga.

“Não percebi nada de diferente na água, que era muito límpida. Um lugar muito bonito, não ia pensar que estava infectado”, disse o biomédico Alexandre Magno.

De Salvador, a professora universitária Érica Aragão, 43, também foi com a família passar o Carnaval na Chapada Diamantina e também visitou o Poção. O diagnóstico da doença veio quase dois meses depois e foi descoberto por acaso. Nas consultas, os médicos acreditavam que a família estava com um rotavírus.

“Começa como uma gripe, coceira no corpo, dois meses depois mais tosse, febre, calafrios. A gente descobriu por acaso minha filha foi internada por outro motivo e aí foi fazer investigação por esquistossomose e veio o diagnóstico”, contou Érica. Só então a família foi submetida ao tratamento específico da doença.

O Poção está interditado e a prefeitura de Lençóis emitiu uma nota informando que já tomou as providências cabíveis sobre a situação. Amostras foram coletadas no local para análise da Vigilância Sanitária do estado. ( Fonte Correio da Bahia)

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